Mercado de imóveis respirou melhor em março, mas vendas de imóveis já são postergadas após crise política

Mercado de imóveis respirou melhor em março, mas vendas de imóveis já são postergadas após crise políticaA melhora da economia brasileira registrada nos indicadores do primeiro trimestre do Banco Central (IBCBr) e da Fundação Getúlio Vargas - que sugerem que a recessão está acabando - foi perceptível nos lançamentos e vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo, segundo o relatório mensal do sindicato da habitação (Secovi-SP), distribuído há dias. Não apenas o número de lançamentos e o valor das vendas cresceram entre fevereiro e março e entre os meses de março de 2016 e de 2017. Antes da eclosão da atual crise política, o presidente da entidade, Flavio Amary, avaliava que 'o País está voltando para os trilhos e o mercado imobiliário é o termômetro disso'.

Entre março de 2016 e março de 2017 o número de imóveis novos comercializados passou de 1.070 para 1.233 (+15,2%) e o número de unidades lançadas evoluiu de 565 para 1.555 (+175,2%). Os números de janeiro e fevereiro deste ano foram muito menores, mas os dados de março foram recebidos com alívio. A recuperação do mercado imobiliário não é generalizada (os indicadores da Região Metropolitana de São Paulo foram muito fracos) e a demanda só é forte nos segmentos de imóveis de menor valor, de até R$ 240 mil, ou no segmento de unidades de valor superior a R$ 750 mil. Além disso, não só os preços pedidos por metro quadrado na cidade de São Paulo continuam muito elevados, como admitiu o vice-presidente do Secovi-SP, Emilio Kallas, na Coluna Secovi publicada no Estado, como eles estão em alta. 

Prova disso é que entre os primeiros trimestres de 2016 e 2017, o valor global de vendas (VGV) registrou aumento nominal de 8%, enquanto o número de unidades comercializadas caiu 7,1%. Melhor é afirmar, por enquanto, que, embora uma recuperação pareça estar se esboçando, a retomada não pode ainda ser considerada sustentável. Os demonstrativos financeiros das grandes construtoras foram bastante negativos no primeiro trimestre, algumas companhias de primeira linha são obrigadas a se desfazer de lotes (que equivalem à matéria-prima de que dependerão, no futuro, para fazer novos lançamentos) e o desemprego no setor ainda é expressivo. Em abril, segundo o Ministério do Trabalho, foram cortadas 1.760 vagas na construção civil, em contraste com o aumento das contratações na indústria de transformação.

Vendas de imóveis já são postergadas após crise política , afirma setor

O mercado imobiliário, que começava a demonstrar uma recuperação nos últimos meses, deverá sofrer um impacto imediato da crise política, segundo companhias e entidades do setor. Neste fim de semana, o movimento nos plantões de venda será muito ruim, segundo um empresário que cancelou iniciativas promocionais.

'Até o fim deste mês, pode até haver movimento nos plantões de venda, mas sem fechamento de negócios', afirma Flávio Prando, vice-presidente do Secovi-SP (sindicato de habitação paulista). Nos últimos dois dias, as assinaturas de contratos foram adiadas, diz Flavio Amary, presidente da entidade.]Ainda será preciso aguardar os desdobramentos da taxa de juros e da confiança do consumidor para revisar as projeções para este ano, avalia o presidente da Abrainc (associação das incorporadoras), Luiz Antônio França.

Os lançamentos deverão ser os mais afetados. 'Para quem tem perspectiva de receber o imóvel em três anos, há maior incerteza sobre qual será a situação da construtora até lá', afirma Igor Freire, diretor da Lello. Novas regras para os distratos (desistências da compra), discutidas entre governo e setor, deverão ser adiadas. 'É preciso, antes, resolver o problema central', diz França. 'A pauta, porém, segue como prioridade', de acordo com Amary.

Fontes: O Estado de S. Paulo, Editorial Econômico, 21/05/2017 e Folha de S. Paulo, Mercado Aberto, 21/05/17


Eduardo Eichenberger Fundador e CEO - Global Governance  Mensagem


Categoria: Artigo

Publicado em: